quinta-feira, 7 de maio de 2009

Memórias vivas de um velho TST - Parte IV


Filminho pornô para as freiras!


Não me lembro ao certo quantos cursos de CIPA já ministrei nesses mais de vinte anos.

Até a edição da Portaria 8 de fevereiro de 1999 somente TST devidamente cadastrados pela DRT tinha autorização para ministrar o curso da NR-05.

Invariavelmente todas as semanas havia um curso para ser ministrado, se não pela minha empresa de consultoria, era pelo SENAC e alguma semana era um curso pela manhã e outro na parte da tarde.

Em 1989 fui convidado para ministrar um curso de CIPA em um hospital da cidade que era mantido por uma instituição religiosa e todas as áreas de enfermagem e administração eram comandadas por freiras.

Confesso que era a CIPA mais insólita que ja havia treinado, era toda especial, dos seus dezeseis membros, dez eram mulheres e destas, nove eram freiras.

Todas vestidinhas com seus uniformes impecáveis, algumas moças novas, outras senhoras de certa idade, algumas votadas e representantes dos empregados, outras indicadas, enfim, tudo igual a uma CIPA qualquer.

Dos homens, um era da manutenção e outro da portaria, ambos indicados pela empresa.

Não posso deixar de mencionar que uma das freiras, moça nova e muito bonita, era sem dúvida a freira mais linda que já havia conhecido.

Feitas as apresentações iniciamos o curso como era de constume.

No último dia de curso, na sexta-feira, depois de cinco dias convivendo com aquelas pessoas na parte da manhã, o nosso relacionamento já era o de velhos conhecidos, o que permitia algumas brincadeiras que, aliás, sempre utilizei desse artifício para que as pessoas se sentissem a vontade e com alegria durante o treinamento. O bom-humor, com classe e respeito, deve fazer parte de qualquer treinamento, claro que tudo dentro da medida certa e no momento certo.

Em agosto de 1985 o Ministéiro da saúde, em conjunto com o Ministério do Trabalho, instituiu a obrigação, no âmbito das empresas, a fazer orientações para os empregados sobre a AIDS, doença que desde 1982 vinha assustando o mundo.

Aquela portaria estabeleceu que ficaria a cargo das CIPAs da empresa fazer a divulgação das formas de prevenção daquela doença.

Qualquer horas dessas eu conto como ganhei muito dinheiro com esta portaria.

Mas, voltando ao assunto.

Abordar esse assunto da AIDS nos cursos de CIPA era uma tarefa meio complicada, o assunto ainda era pouco conhecido e pouco divulgado, praticamente não havia material didático e alguns videos que havia na época eram ou muito técnico ou muito vulgar.

Na nossa biblioteca tínhamos três filmes sobre AIDS.

- Um deles era produzido por um laboratório, direcionado para os médicos, era extramente técnico;
- Outro era uma produção do Globo Repórter, o que mais utilizavamos para os cursos de CIPA.
- O tereceiro era uma produção nacional, dirigida para a construção civil em que o ator Lima Duarte fazia a locução do filme e utilizava de uma linguagem apropriada e algumas figurinhas bem simples para ilustrar.

Esse terceiro filme, dirigido par a construção civil era muito engraçado, o texto fora escrito com objetivo claro de se comunicar com os operários de obra e utilizava o "palavreado" simples usado em obras, bem popular, as vezes grotesco.

Numa das cenas, para se referir ao sexo anal, que era o grande tabu e transmissor principal da AIDAS, Lima Duarte dizia:

- Pessoal, cuidado com esse negócio de comer o fio-o-fó dos outros, porque esse bichinho da aids é piquininho e vai junto com a gala (esperma) do pião e entra pelo fi-o-fó e cai no sangue e aí o peão vai pegar essa doença.

E nesse tom de conversa e com essa linguagem o video tinha uma duração de vinte minutos. Tinha o seu valor didático, educativo e prevencionista na medida em que passava a mensagem na linguagem utilizada pelos trabalhadores da construção civil.

Então, naquela sexta-feira, último dia do curso, era o momento de tocar no assunto, na AIDS.

Logo pela manhã, por volta das 07:30 passei rapidinho no escritório para pegar a fita VHS com o filme sobre AIDS e fui para o hospital.

Iniciando a aula daquele útimo dia, disse para a turma:

- Hoje, nosso último dia do curso, depois de tratarmos de todas as matérias ligadas diretamente sobre segurança e medicina do trabalho, vamos tratar de tres assuntos diferentes:

- Prevenção a AIDS que é uma obrigação da CIPA;
- Primeiros socorros
- Prevenção e combate a incêndios

Continuei dizendo:

- Pessoal, o negócio é o seguinte, temos que tratar de um assunto novo, para alguns é meio constrangedor, mas sou obrigado a tocar no assunto tendo em vista que é obrigação da CIPA alertar os empregados sobre a prevenção dessa doença que está assunstando o mundo e é altamente transmissível pela via sexual.

- Vou passar um filme sobre AIDS e me dirigindo às freiras disse que todas poderiam ficar à vontade, quem não quiser assistir, pode se retirar da sala que não vou computar como falta.

- Ok?, tudo bem, vamos fazer o seguinte:
- Tenho que entregar essa documentação lá no DP do hospital, vou colocar o filme no video e vou até o DP, vou deixá-las sózinhas, à vontade, para assistir ao file e daqui uns quinze minutos eu volto. Tá certo?

- Tudo bem concordou a mais velha delas e presidente da CIPA.

Rapidamente coloquei o filme no VC e saí.

Mais ou menos uns quinze minutos voltei, abri a porta, entrei e CONGELEI!

Sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, mudo, estático na porta e de olhos arregalados via o Sr. Lima Duarte dizendo, em alto e bom som,: "pessoal, esse negócio de comer o fi-o-fó de outro pião é muito perigoso"...

Eu simplesmente tinha colocado o filme que era para a construção civil. O desastre estava feito.

Olhei as freiras da porta onde estava congelado, algumas de cabeça baixa, algumas ruborizadas, de repente todas me olhararm e com os olhos pediam: tira isso daí pr favor.

Voei em direção ao Video Cassete, desliguei e por alguns segundos fiquei mudo para depois dizer.

- Me perdoem. A nossa estagiária me entregou o filme errado.

Na segunda-feira tive que me dirigir ao escritório da irmã diretora, me desmanchar em desculpa, me propor a não cobrar pelo curso e tantas outras promessas.

A irmã fez questão de me pagar pelo treinamento mas nunca mais fui chamado de volta.

Em janeiro de 1991 o meu filho João Gabriel nasceu naquel hospital e no dia de seu nascimento, enquanto esperava a sua chegada, nos corredores do hospital encontrei aquela freira linda, no me lembro do seu nome, me olhou de lado, deu um sorrizinho maroto e desapareceu no final do corredor.

1 comentários:

Nono disse...

Muito legal esta palestra sobre DST,achei bem interesante,gostaria que me mandase este video se for possivel!Esse da construção civil ok...abraço!!!