Aos colegas peço a mais humilde permissão para escrever estas linhas.
Antes de iniciar quero dizer que não me considero melhor que ninguém, penso que posso saber um pouco mais, de alguma coisa, pelo tempo que tenho de experiência nessa área de Segurança do Trabalho.
Tudo começou lá no início dos anos 80 (do século XX) quando iniciando minha carreira na área de Recursos Humanos - na época DP Departamento Pessoal - um velho e bom amigo da época, contador da empresa, Zalnir Caetano, um dia me aconselhou a fazer o curso de "Supervisor de Segurança no Trabalho", que era um bom negócio principalmente para mim que estava nessa área de DP. e a procura por tal profissional era grande e o salário era bom.
Seguindo os conselhos do amigo procurei a Fundação Jorge Duprat - A FUNDACENTRO, que na época, em parceria com o Ministério do Trabalho, ministrava o curso.
Seis meses era a duração do curso. Seis meses somente de matérias que interessavam diretamente à profissão: Legislação - estudo de todas as Normas Regulamentadoras - Prevenção contra incêndios, primeiros socorros, direito do trabalho e outras.
Ao final do curso algumas visitas em grandes empresas e... ponto final.
Hoje vimos os cursos com duração de ano e meio, uma grade curricular cheia de matérias que só servem para "encher linguiça", enrolar no tempo e ganhar dinheiro dos incautos que são "enrrolados" na promessa de uma profissão com bons salários.
Quando me formei em dezembro de 82 tinha trocado de emprego, estava agora como gerente de pessoal de uma metalúrgica que tinha em torno de 300 empregados. Era uma boa empresa, um dos sócios era Holandêz e tinha uma mentalidade muito aberta para os assuntos de segurança no trabalho e me permitiu colocar em prática todos os conhecimentos recém adquiridos no curso.
Apesar da empresa ter um SESMT resumido a um único TST, desenvolvemos muitas melhorias na área metalúrgica. Havia na empresa um setor de Galvanoplastia, equipamentos velhos, antigos e deteriorados em que se fazia a niquelação, cromagem e outros tratamentos químicos nos metais que eram produzidos.
Na galvanoplastia trabalhavam em torno de trinta empregados nas piores condições de insalubridade possível e imaginável.
Me lembro que o encarregado, José Kravtz, guardava a sete chaves um determinado produto que era utilizado no processo e que ninguém mais, fora ele e o gerente de produção, tinha acesso.
Curioso, depois de impor as minhas prerrogativas de encarregado do DP e "Supervisor em Segurança do Trabalho" consegui ter acesso ao tal produto guardado em alto segredo: Arsênico.
Alguns dias depois, atendendo a reclamação de alguns vizinhos em residência nos fundos da empresa fui até lá. Um pequeno riacho passava pelos fundos do terreno da empresa e uma dezenas de pequenas casas ocupavam de forma irregular as suas margens.
Aconteceu que patos, galinhas e outros animais domésticos estavam morrendo e a suspeita vinha da água que era despejada pelo esgoto da empresa diretamente no pequeno riacho.
Resumindo a estória. Era o tal do arsênico, altamente tóxico, utilizado no processo de galvanoplastia, depois do processo de produçãe era liberado diretamente no esgoto que corria direto para o riacho.
Pobres patos, galinhas e marrecos que morreram, pobres pessoas que foram retiradas às pressas de suas casas, pobre empresa que foi multada em alta soma, teve interditado o setor de galvanoplastia e gastou alguns milhares de cruzeiros (à época) para construir um setor novo e mais moderno.
continua...
Nos próximos post vou contar a estória do leite e da insalubridade no setor de galvanoplastia.
E, também a estória do registro de empregado do funcionário morto em um acidente do trabalho
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